A doença psíquica tem um curioso papel estabilizador na mente, pois ela substitui um drama maior por um drama menor e mais tolerável.
O drama maior é o conflito entre as características da pessoa e o mundo externo que a ela se opõe, entre um desejo considerado inaceitável pelo Superego e a ameaça de desamparo com que ele ameaça a pessoa.
Como exemplo, a fobia de baratas entra no lugar da raiva contra o pai: a raiva contra o pai é muito perigosa, pois ele pode desamparar a criança. A doença psíquica tira esse conflito de cena: “meu problema não é a ameaça que meu pai representa, e sim a ameaça que a barata representa.
Dessa maneira, a doença psíquica conta a história dos conflitos da criança, mas de maneira cifrada: é função da psicanálise decifrá-la para dar outra saída ao drama maior.
Como exemplo, ao decifrar a fobia de baratas, podemos entender que a criança não estava aparelhada, não tinha competência para apresentar suas divergências com seu pai, não saberia o que fazer para que sua raiva encontrasse justiça, e por isso o processo de repressão se deu, e surgiu a doença.
Ao entender a história que sua fobia conta, o agora adulto pode olhar e relevar as limitações de seu pai, mas pode sobretudo aprender a lidar com sua raiva com competência de adulto, já que a doença o congela nas poucas habilidades que a antiga criança tinha, de lidar com a raiva.
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